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Brasil pode ter o maior imposto sobre consumo do mundo

Alíquota conjunta do CBS e IBS caminha para 30,05%, acima dos 27% cobrados na Hungria; exceções aprovadas pelo Congresso pressionam

Portal Curiúva
Por: Portal Curiúva
28/10/2026 às 17h52
Brasil pode ter o maior imposto sobre consumo do mundo
R7

O Brasil poderá ter a maior alíquota padrão de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) do mundo, caso sejam confirmadas as projeções para os dois tributos criados pela reforma tributária. A combinação das alíquotas estimadas da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) chegaria a aproximadamente 30,05%.

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Nesta quarta-feira (28), o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o percentual de 11,3468% para a CBS. Somado à estimativa de 18,7% para o IBS, o resultado supera os 27% praticados pela Hungria, país que possui a maior alíquota padrão entre os integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo levantamento de 2026 da Tax Foundation.

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A média dos países da OCDE é de 19,4%, percentual 10,65 pontos abaixo da projeção brasileira.

É importante destacar que a alíquota total de 30,05% ainda não está definida. O cálculo depende da confirmação dos percentuais dos dois tributos e de decisões relacionadas à regulamentação da reforma.

Como funcionará o novo sistema tributário?

A reforma tributária prevê a substituição gradual de tributos atuais sobre o consumo por dois impostos principais: a CBS, de competência federal, e o IBS, compartilhado entre estados e municípios.

O objetivo é simplificar a cobrança de impostos e reduzir a tributação em cascata, modelo em que a incidência de tributos em diferentes etapas da produção pode gerar cobranças sucessivas.

Apesar disso, a estimativa de uma alíquota padrão elevada tem provocado discussões sobre os efeitos do novo sistema para consumidores e empresas.

A comparação internacional considera a alíquota padrão dos tributos, e não necessariamente o percentual efetivamente pago em todas as compras. No Brasil, determinados produtos e serviços terão isenção, redução de alíquotas ou regimes específicos.

Exceções podem elevar a alíquota padrão

Um dos fatores que pressionam a estimativa é a concessão de benefícios tributários durante a regulamentação da reforma. Como o sistema busca preservar o nível de arrecadação, a redução de impostos para alguns setores pode exigir uma alíquota padrão maior para compensar a diferença.

Entre os benefícios previstos estão:

  • Alíquota zero: produtos da cesta básica nacional, como arroz, feijão e leite, além de determinados medicamentos.

  • Redução de 30%: serviços prestados por determinadas categorias de profissionais regulamentados, como advogados, arquitetos e contadores.

  • Redução de 60%: determinados serviços de saúde e educação, medicamentos, alimentos e produções culturais e jornalísticas previstas na legislação.

  • Regimes específicos: setores como combustíveis, serviços financeiros, planos de saúde e operações imobiliárias, que terão regras próprias.

Segundo os dados apresentados pelo TCU, os ajustes relacionados às operações com alíquota zero reduzem em R$ 126,3 bilhões a arrecadação estimada da CBS. Já os benefícios associados às alíquotas reduzidas representam uma diminuição estimada de R$ 61,89 bilhões, considerando a média de 2023 e 2024.

Projeção ficou acima das estimativas anteriores

Antes da aprovação do percentual para a CBS, a estimativa do Comitê Gestor do IBS considerava uma alíquota conjunta de 27,91%, com 9,21% para a CBS e 18,7% para o IBS.

Com a aprovação de 11,3468% para o tributo federal, a projeção combinada subiu para aproximadamente 30,05%, caso o percentual estimado para o IBS seja mantido.

O resultado também supera a estimativa de 9,43% para a CBS calculada pela empresa ROIT, especializada em tecnologia tributária.

A reforma também prevê mecanismos de devolução de parte dos tributos para famílias de baixa renda, conhecidos como cashback, além de tratamentos diferenciados para determinados bens e serviços.

Quando as mudanças começam?

A CBS está prevista para começar a substituir os tributos federais sobre o consumo em 1º de janeiro de 2027. O IBS será implementado gradualmente, com transição prevista até 2033, quando deverá ser concluída a substituição dos atuais tributos estaduais e municipais abrangidos pela reforma.

Até lá, os percentuais e as regras do novo sistema ainda dependem das etapas legais e de regulamentação aplicáveis.

Fontes: SBT News e Tax Foundation.

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