
Divulgado nesta segunda-feira, 12, um relatório da área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou mensagens editadas e orientações para que seguidores compartilhassem vídeos antes de assisti-los no canal “Exército do Lula”.
A página é administrada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp.
A análise foi determinada pelo presidente da Corte, Nunes Marques, no processo em que a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apontou divulgação de notícias falsas acerca dele pela ferramenta de Janones.
A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) examinou publicações disponíveis de 2 a 11 de outubro.
A AEED identificou quatro mensagens marcadas como “Editada”, sem acesso às versões anteriores.
Também relatou, com base no processo, que publicações de 25 a 29 de setembro foram apagadas a partir de 7 de outubro, enquanto outras 81 desapareceram antes que seu conteúdo pudesse ser lido.
Conforme o relatório, essas lacunas dificultam a recuperação do histórico do canal. A reconstituição integral depende dos registros mantidos pelo provedor.
“Mensagens apagadas, em regra, deixam de ser acessíveis por consulta ao próprio canal, e o texto anterior das mensagens editadas não é exibido”, disse a AEED. “Registros eventualmente realizados por terceiros, como capturas de tela, podem suprir parcialmente essa lacuna, mas a reconstituição integral e confiável do histórico depende dos registros sob a guarda do provedor.”
Em 8 de outubro, o canal anunciou que enviaria um vídeo e orientou: “Curtam comentem Lula reeeleito e compartilhem antes mesmo de assistir”. O objetivo declarado era “sinalizar pro algoritmo que o conteúdo é relevante”.
Depois de distribuir o link do Instagram, publicou o comando “Explodam”. Segundo a assessoria, a orientação reiterava uma mensagem semelhante de 7 de outubro já registrada nos autos.
O órgão relacionou a prática às proteções do WhatsApp que dependem da capacidade do usuário de verificar o conteúdo recebido. Ressalvou, porém, que não conseguiu medir seu efeito sobre esses mecanismos.
O relatório identificou uma estrutura de comandos centralizados e sincronizados, com “missões”, horários marcados e pedidos de confirmação.
Na consulta de 11 de outubro, o canal tinha 3,3 milhões de seguidores, e uma mensagem de convite acumulava aproximadamente 350 mil encaminhamentos. Via revista oeste


