
Documentos e um áudio atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, obtidos pela revista Veja, apontariam para um suposto pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo relacionado ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi divulgada nesta sexta-feira (9).
Segundo a reportagem, o valor teria sido destinado a despesas da produção do documentário Lula (2024), dirigido pelo cineasta Oliver Stone. A publicação também relata que outro pagamento, de valor não divulgado, teria sido direcionado ao Instituto Lula.
De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, as negociações teriam ocorrido por intermédio de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), com participação de pessoas ligadas ao Banco Master e ao instituto.
Conforme os documentos descritos pela Veja, Vorcaro teria afirmado que a aproximação com integrantes do PT buscava facilitar o credenciamento de operações financeiras junto a fundos e instituições ligados ao setor público, incluindo estruturas relacionadas ao Banco do Brasil, à Caixa e à Previ.
O ex-banqueiro teria mencionado a participação de seu então sócio, Augusto Lima, nas articulações, além de contatos com integrantes do partido na Bahia e com o senador Jaques Wagner (PT-BA), que ocupou a liderança do governo Lula no Senado.
No áudio divulgado, Vorcaro supostamente afirma que o dinheiro destinado ao filme teria sido pago “por fora”, em contraste com um patrocínio que descreve como regular relacionado a Flávio Bolsonaro. O trecho, isoladamente, não comprova a ocorrência de irregularidades nos pagamentos mencionados.
Segundo a publicação, os relatos e documentos foram apresentados à Procuradoria-Geral da República (PGR). A reportagem afirma que o órgão decidiu não avançar com o caso por considerar insuficientes as provas disponíveis, diante da alegação de que os pagamentos teriam sido realizados em espécie.
Os advogados de Vorcaro, por sua vez, teriam sustentado que mensagens de WhatsApp, registros de retiradas de dinheiro e informações sobre locais e trajetos utilizados nas entregas corroborariam o relato do ex-banqueiro.
Até que os elementos sejam confirmados por investigação ou decisão judicial, as alegações devem ser tratadas como acusações atribuídas a Vorcaro e à reportagem, e não como fatos comprovados.
Fonte: Revista Veja


