
A trajetória política também é marcada por escolhas difíceis. E a decisão de Alexandre Curi de aceitar a candidatura ao Senado acabou colocando seu futuro político diante de uma das disputas mais difíceis de sua carreira.
Curi tinha uma trajetória consolidada no Paraná e ocupava a presidência da Assembleia Legislativa. Ao aceitar mudar de caminho e disputar o Senado, entrou em um cenário eleitoral diferente, com adversários fortes e uma disputa nacionalizada.
É como aceitar entrar em um incêndio acreditando que haverá espaço para atravessar sem se queimar. O problema não foi apenas entrar no fogo, mas a circunstância em que essa escolha aconteceu.
A derrota, portanto, abre uma reflexão: até que ponto uma decisão individual pode ser separada das estratégias de um grupo político? Curi aceitou a missão, mas a definição da candidatura envolveu também lideranças e decisões do grupo que estava no comando do Paraná.
No fim, a eleição deixou uma imagem simbólica: um político que estava em uma posição de protagonismo no Estado deixou uma disputa na qual tinha espaço consolidado para entrar em outra, muito mais incerta, e acabou pagando um preço eleitoral alto.
A política, como o fogo, pode aquecer uma trajetória, mas também pode queimar quem entra nela sem ter controle sobre as chamas.
Texto: Rodrigo Félix/Portal Curiúva


