
Um estudo elaborado por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que trabalhadores que eram beneficiários do Bolsa Família no momento da contratação ou desligamento responderam por aproximadamente 4,6 milhões de empregos formais criados entre janeiro de 2023 e julho de 2026.
O número corresponde a 85,2% do saldo total de empregos formais registrado no país no período, que foi de aproximadamente 5,4 milhões de vagas.
O levantamento foi realizado pelos pesquisadores Valdemar Pinho Neto e Luiz Gustavo Barbosa, a partir do cruzamento de informações do Caged, CadÚnico e Bolsa Família.
De acordo com a pesquisa, entre os integrantes do Bolsa Família foram registradas 15,3 milhões de admissões e 10,8 milhões de desligamentos no período analisado. A diferença resultou em um saldo positivo de aproximadamente 4,6 milhões de postos de trabalho.
Segundo os pesquisadores, os dados colocam em questionamento a ideia de que o recebimento do benefício necessariamente afastaria os brasileiros do mercado de trabalho.
O estudo, entretanto, faz uma ressalva importante: foi considerado beneficiário aquele trabalhador que estava inscrito no Bolsa Família no momento da contratação ou do desligamento. Portanto, os dados não indicam necessariamente se a pessoa continuou recebendo o benefício depois de conseguir o emprego.
O levantamento também analisou trabalhadores inscritos no CadÚnico. Nesse grupo, o saldo de empregos formais chegou a 5,8 milhões de vagas entre janeiro de 2023 e julho de 2026.
Foram 33,3 milhões de contratações e 27,5 milhões de desligamentos entre trabalhadores cadastrados.
Entre aqueles que não estavam inscritos no CadÚnico, o saldo foi negativo em aproximadamente 460,6 mil postos.
A pesquisa também traçou o perfil dos beneficiários que conseguiram empregos formais.
Os trabalhadores entre 18 e 24 anos representaram 40,5% do saldo, com aproximadamente 1,9 milhão de vagas.
As mulheres responderam por 55,4% do saldo, equivalente a cerca de 2,5 milhões de empregos.
Entre os recortes de raça ou cor, os pardos representaram 62,7% do saldo, aproximadamente 2,9 milhões de postos.
Já por escolaridade, trabalhadores com ensino médio completo concentraram 78,2% do saldo de empregos entre os beneficiários do programa.
O estudo também encontrou diferenças regionais. Em nove estados — Maranhão, Alagoas, Ceará, Bahia, Pará, Rio Grande do Norte, Acre, Pernambuco e Sergipe —, houve saldo negativo de empregos entre trabalhadores que não recebiam o Bolsa Família.
Segundo os pesquisadores, nesses estados, o saldo positivo registrado entre beneficiários do programa foi suficiente para compensar a retração observada entre os demais trabalhadores.
Fonte: estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), conforme informações apresentadas no levantamento.


