
A reação às palavras de Jair Bolsonaro (PL) e a repercussão das declarações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levantam uma questão no debate político brasileiro: a cobrança por parte da opinião pública é aplicada da mesma forma a todos os políticos?
Na entrevista concedida à TV Globo na quinta-feira (15), Lula apresentou informações sobre empregos, fome, economia e obras públicas que foram analisadas por equipes de checagem. O UOL Confere identificou erros e exageros em algumas das afirmações do presidente.
Um dos exemplos foi a declaração de que seus dois primeiros mandatos haviam gerado 22 milhões de empregos. Segundo a checagem do UOL, os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) apontam um número inferior: aproximadamente 15,4 milhões de empregos formais.
Lula também afirmou que havia acabado com a fome em 2014. Embora o Brasil tenha saído do Mapa da Fome da ONU naquele período, isso não significava que a fome havia sido completamente erradicada no país.
As verificações não significam que todas as declarações do presidente sejam falsas. Elas mostram, porém, que afirmações feitas em entrevistas ao vivo também precisam ser confrontadas com dados e fontes oficiais.
Bolsonaro foi alvo de críticas por declarações e palavrões em diferentes ocasiões, além de ter sido declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral em um processo específico relacionado a ataques sem provas ao sistema eleitoral. A decisão judicial, entretanto, não foi motivada simplesmente pelo uso de palavrões.
No caso de Lula, as declarações contestadas na entrevista também provocaram questionamentos sobre a precisão das informações apresentadas ao público.
O debate vai além da preferência partidária. Se a exigência é que políticos sejam responsabilizados por suas palavras, a cobrança por precisão, transparência e coerência deve alcançar representantes de todos os partidos.
Afinal, quem condena o comportamento de um político também está disposto a questionar as declarações de outro quando os fatos não correspondem ao que foi dito?
A resposta cabe ao público. O papel do jornalismo é apresentar os fatos, verificar as afirmações e permitir que os leitores tirem suas próprias conclusões.


