
No despacho que autorizou a prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, nesta quarta-feira, 4, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou um duro recado ao procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet.
Mendonça discordou do PGR sobre não haver urgência para analisar pedidos de medidas cautelares apresentados pela Polícia Federal (PF).
Conforme o juiz do STF, as evidências apontavam para crimes graves e risco concreto às investigações.
Em 27 de fevereiro, a PF solicitou a Mendonça a prisão preventiva dos investigados. Segundo os agentes, Vorcaro mantinha uma “estrutura de vigilância e coerção privada” voltada ao monitoramento de alvos e à intimidação da PF.
Ao receber o pedido, Mendonça deu 72 horas para Gonet se manifestar.
Em resposta, a PGR disse que não havia “indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise”.
Para Mendonça, contudo, a representação da PF “traz sérias evidências da continuada prática de crimes de gravíssima repercussão”.
“É preciso ressaltar que a urgência na tramitação deste feito decorre do perigo iminente a bens jurídicos da mais elevada relevância e de envergadura constitucional”, observou Mendonça. “Diante desse robusto quadro fático-probatório, lamenta-se que a PGR diga que ‘não se entrevê no pedido, nem no encaminhamento dos autos […] a indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito’, razão pela qual conclui que ‘não pode ser favorável aos pedidos cautelares, não podendo aboná-los’ antes que sua manifestação seja apresentada ‘no mais breve tempo possível.”


