
Itaú Unibanco, Caixa Econômica, Bradesco, Banco do Brasil e Santander arcarão com os maiores custos para bancar a recomposição do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), após o rombo deixado pelo caso Master. Os cinco maiores bancos do País podem ter que desembolsar, no agregado, um montante ao redor R$ 30 bilhões já nos próximos meses, segundo analistas.
O FGC tem patrimônio em torno de R$ 125 bilhões. Desse total, Banco Master, Will Bank e Banco Pleno podem consumir ao menos R$ 52 bilhões, indicando a necessidade de recapitalizar a instituição. Até agora, entre os cinco maiores bancos, só o BB falou publicamente uma estimativa de desembolso. Enquanto isso, analistas e investidores estão fazendo seus próprios cálculos.
A conta considera o adiantamento imediato do equivalente a cinco anos de contribuições mensais ao Fundo, como parte do plano de reconstrução acertado neste mês. Como não são públicos, os números representam uma estimativa para fornecer uma dimensão dos efeitos da reconstrução do FGC sobre o setor. Por isso, os cálculos dos analistas podem ser um pouco maiores que o dos próprios bancos, que têm acesso aos números completos.
Para além desse valor, haverá ainda uma contribuição adicional extraordinária de 50% dos aportes mensais, o que no caso das quatro principais instituições de capital aberto pressupõe um dispêndio de R$ 2,6 bilhões por ano, segundo cálculos do Citi. A cifra terá impacto material, mas administrável sobre as principais métricas financeiras dos bancos, na opinião dos analistas.
Pelas regras atuais, os bancos associados contribuem mensalmente com 0,01% do total de seus instrumentos financeiros garantidos. No caso dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE), a alíquota mensal é de 0,02% para emissões com alienação de recebíveis e de 0,03% para o estoque sem alienação.
No caso do Itaú, a fórmula se traduz em um desembolso inicial de R$ 8,8 bilhões e de mais R$ 882 milhões no ano para cobrir o incremento extraordinário de 50% nas contribuições, conforme estimativas do Citi. Os números podem estar ligeiramente superestimados, porque consideram os depósitos de toda a operação, inclusive fora do Brasil. E o FGC só cobre os depósitos no Brasil.
O presidente do Itaú, Milton Maluhy, tem defendido a implementação de “mecanismos inteligentes” para recapitalizar o FGC e transmitir a mensagem de que o Fundo está bem capitalizado para cumprir o objetivo de proteção do investidor. Na visão dele, o processo deve atenuar ao máximo os custos para o setor financeiro e a sociedade. “Muitas normas internacionais podem servir de referência”, disse quando comentou os resultados do banco.
O Bradesco deve mobilizar cerca de R$ 7 bilhões na primeira rodada e, depois, mais R$ 696 milhões no ano, ainda segundo o Citi. Para o Santander Brasil, o custo será de R$ 3,4 bilhões na primeira etapa e, na sequência, R$ 336,7 milhões.


